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Yayoi Kusama, a artista das bolinhas, morre aos 97 anos; o Inhotim tem uma galeria só dela

A artista japonesa das bolinhas e das salas de espelho morreu aos 97 anos, num hospital de Tóquio, em 14 de agosto — o anúncio veio 13 dias depois. No Brasil, o Inhotim mantém desde 2023 uma galeria permanente dedicada só a ela.

Yayoi Kusama, de peruca vermelha e roupa de bolinhas, sentada diante de uma pintura colorida dela
Yayoi Kusama no ateliê, diante de uma das próprias pinturas. Reprodução/Louisiana Channel
  • Yayoi Kusama morreu em 14 de agosto, num hospital de Tóquio, aos 97 anos. O anúncio só saiu nesta quinta-feira (27), pelo estúdio dela.
  • A causa da morte não foi informada. Segundo o comunicado, ela pintou até os últimos dias.
  • No Brasil, o Inhotim mantém uma galeria só dela desde julho de 2023, com duas instalações imersivas.

A artista japonesa Yayoi Kusama, das bolinhas que viraram marca registrada e das salas de espelhos que formam fila em museu do mundo inteiro, morreu aos 97 anos. Ela morreu em 14 de agosto, num hospital de Tóquio.

A informação só foi divulgada nesta quinta-feira (27), pelo estúdio e pela fundação que levam o nome dela — treze dias depois. A causa da morte não foi informada.

Qual foi a causa da morte de Yayoi Kusama?

Não foi divulgada. O comunicado do estúdio informou a data, o local e uma única frase sobre o fim: ela seguiu trabalhando.

“Kusama continuou pintando até seus últimos dias, jamais largando o pincel, e prosseguiu sua exploração do amor eterno e da alma eterna. Levaremos adiante os desejos de Kusama e, por meio da arte, continuaremos a levar esperança e força para o futuro às pessoas ao redor do mundo.”

Comunicado do Estúdio Yayoi Kusama, divulgado em 27 de agosto de 2026
A abóbora amarela de bolinhas pretas de Yayoi Kusama instalada num píer diante do mar, na ilha de Naoshima
A abóbora de bolinhas na ilha de Naoshima, no Japão, uma das obras mais fotografadas da artista. Reprodução/Louisiana Channel

Por que Yayoi Kusama morava num hospital psiquiátrico?

Porque ela escolheu morar. Depois de voltar de Nova York ao Japão, em 1973, Kusama passou a viver voluntariamente numa instituição psiquiátrica em Tóquio, e montou o ateliê numa rua próxima. Saía de manhã para pintar e voltava à noite.

Ela dizia ter alucinações desde a infância — campos de pontos que cobriam tudo o que via. Em vez de esconder isso, transformou no próprio vocabulário: as bolinhas, as redes das Infinity Nets e as formas que se repetem até apagar o contorno das coisas.

Nada disso a tirou do circuito. Ela saiu de Matsumoto contra a vontade da família, chegou a Nova York em 1957, aos 28 anos, e virou nome da vanguarda americana ao lado de gente como Donald Judd. Nos anos 1960, fez performances com corpos nus pintados de bolinhas em protestos contra a Guerra do Vietnã.

Rosto de Yayoi Kusama em close, de óculos de armação dourada e peruca vermelha
Kusama trabalhou até os últimos dias, segundo o estúdio dela. Reprodução/Tate

Como funciona uma Infinity Mirror Room?

É um quarto pequeno com espelho em todas as faces — paredes, teto e às vezes o chão, sob uma lâmina de água. Dentro dele ficam pontos de luz, abóboras ou esferas. O reflexo bate de espelho em espelho e some no fundo, e o cérebro lê aquilo como um espaço sem fim.

Por isso a entrada é sempre controlada: cabem poucas pessoas por vez, às vezes uma só, e a permanência é medida em segundos. O efeito depende de você não ver a parede — e mais um corpo dentro da sala estraga a ilusão para os dois.

Onde ver obras de Yayoi Kusama no Brasil?

No Inhotim, em Brumadinho (MG). A Galeria Yayoi Kusama abriu em julho de 2023 e é permanente: guarda I’m Here, But Nothing (2000) e Aftermath of Obliteration of Eternity (2009), duas instalações imersivas.

O acervo do instituto também tem Narcissus Garden (1966/2009), o campo de centenas de esferas espelhadas. E o Brasil já tinha recebido a artista antes: entre 2013 e 2014, a mostra Obsessão Infinita levou cerca de 100 trabalhos ao CCBB do Rio e de Brasília e ao Instituto Tomie Ohtake, em São Paulo.

O que a Foka acha: a data que explica a fila é 1957. Kusama vinha fazendo a mesma pergunta desde então — o que acontece quando um padrão se repete até o objeto sumir — e as instalações de espelho só viraram fenômeno global nas últimas décadas. O trabalho é o mesmo dos anos 1960; o que mudou em volta dele foi o público.

Mais despedidas e histórias de artistas em Famosos: a morte de Tim Curry aos 80, a de Dolly Parton aos 80, a da jornalista Thalita Tavares aos 46, Glória Pires e o filme que dirigiu sobre fazer 60 e Lúcia Veríssimo aos 68, criando cavalos em Minas.

Se você precisa conversar, o CVV atende de graça, 24 horas, pelo 188.

Com informações do comunicado do Estúdio Yayoi Kusama, de Estela Marconi, da Exame, e da cobertura da Agência Estado publicada no Diário do Grande ABC.

— Cláudia Fofoka

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