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Aline Barros e o marido são alvo de ação de R$ 398 mil; empresa fala em fraude e cantora nega

A Fanplay alega que receitas da carreira da cantora passaram a outras empresas. A assessoria diz que é divergência contratual e nega fraude.

Aline Barros canta de olhos fechados, com microfone na mão, em estúdio
Aline Barros no clipe Tem Que Haver Mais, publicado em 26 de junho de 2026. Imagem de arquivo. Reprodução/YouTube Aline Barros
  • A empresa Fanplay quer que Aline Barros e o marido, Gilmar Santos, respondam com o próprio patrimônio por uma dívida de R$ 398,5 mil.
  • A dívida é do Grupo Gênesis, produtora de que o casal era sócio e que foi encerrada em 2025; a credora alega ocultação de patrimônio.
  • A assessoria da cantora nega fraude, e dois pedidos de bloqueio de bens já foram negados, em julho e em agosto.

Aline Barros, 50, e o marido, o ex-jogador Gilmar Santos, são alvo de um pedido na Justiça de São Paulo para pagar com bens pessoais uma dívida de R$ 398.506,90. A cobrança é da Fanplay Technology Produções e Eventos, que alega que recursos foram afastados da empresa devedora para dificultar o pagamento.

Os documentos do processo foram publicados pelo colunista Daniel Nascimento, do jornal O Dia. A assessoria da cantora confirma a disputa e nega fraude.

Por que Aline Barros entrou no processo?

A história começa em 2019, quando a Fanplay fechou uma parceria com o Grupo Gênesis de Produções e Eventos Itinerantes, produtora de que Aline e Gilmar eram sócios. A Fanplay adiantou R$ 120 mil para bancar o primeiro evento.

O evento aconteceu, mas o que foi arrecadado não cobriu as despesas nem devolveu o adiantamento, e uma segunda produção não saiu do papel. A Fanplay foi à Justiça em 2020, e o Grupo Gênesis foi condenado, em decisão definitiva, a devolver R$ 125 mil, com juros e correção.

A cobrança travou quando a produtora fechou. A extinção do Grupo Gênesis foi registrada na Junta Comercial do Rio de Janeiro em maio de 2025, com a dívida ainda em cobrança. Segundo a Fanplay, o documento informava que as atividades tinham terminado em 2023.

Aline Barros canta com microfone ao lado de um baixista em estúdio com janelas e parede de tijolos
Aline Barros no clipe Tem Que Haver Mais, publicado em 26 de junho de 2026. Imagem de arquivo. Reprodução/YouTube Aline Barros

O que a empresa alega contra Aline Barros e o marido?

Em maio de 2026, a Fanplay abriu um incidente de desconsideração da personalidade jurídica. Além do casal, incluiu o empresário Ivanildo Medeiros Nunes, a Aline Barros Produções Artísticas e duas empresas de Vila Velha (ES), a Criative Music e a Criative Agenciamento.

A credora fala em confusão patrimonial e sucessão empresarial irregular: receitas da carreira de Aline teriam passado a outras empresas enquanto a dívida seguia sem pagamento. Cita um contrato de janeiro de 2023 em que a Criative Music representa a cantora com exclusividade e fica com 10% de cada contratação.

A Fanplay também aponta uma suposta distribuição de R$ 33 milhões em lucros pela Criative Music, que teria capital social de R$ 3,5 milhões.

Aline Barros pode ter os bens bloqueados?

Pelo artigo 50 do Código Civil, o juiz pode estender a dívida de uma empresa aos bens de sócios e administradores quando há abuso: desvio de finalidade, que é usar a empresa para lesar credores, ou confusão patrimonial, quando o dinheiro da empresa e o dos sócios não são separados de fato.

A mesma lei fixa um limite: a simples existência de um grupo de empresas, sem esses requisitos, não autoriza a medida. Pelo Código de Processo Civil, os citados têm 15 dias para se defender e pedir provas, e só depois o juiz decide (artigos 133 a 136).

A Fanplay pediu o bloqueio imediato de contas e a retenção de pagamentos de prefeituras, como Itaboraí (RJ) e Balsas (MA), sem aviso prévio aos citados. Em 30 de julho, o juiz André Frederico de Sena Horta, da 1ª Vara Cível de Barueri, negou por falta de elementos suficientes naquele momento.

A empresa recorreu ao Tribunal de Justiça de São Paulo, pedindo o bloqueio de até R$ 361.084,65. Em 7 de agosto, o desembargador Elói Estevão Troly, da 15ª Câmara de Direito Privado, também negou. As duas decisões tratam só do bloqueio; até 6 de outubro, data dos documentos, não havia decisão sobre o mérito.

Aline Barros canta ao microfone sob luz roxa, com um guitarrista ao fundo
Aline Barros no clipe Uma Coisa Nova, lançado em 9 de outubro, no mês em que ela fez 50 anos. Reprodução/YouTube Aline Barros

O que diz a assessoria de Aline Barros?

Em nota, a equipe da cantora afirma que o processo trata de uma parceria comercial para um evento virtual feito na pandemia de covid-19, e que houve “interpretações divergentes” sobre as obrigações de cada lado quando o contrato acabou.

“Obviamente, não há qualquer motivação para se falar em fraude ou algo do tipo, uma vez que nossa empresa sempre atuou e continua atuando rigorosamente dentro da lei (…).”

Assessoria de Aline Barros, em nota sobre o processo, em outubro de 2026

A nota chama as alegações da Fanplay de “mera e descabida ilação” e diz que a empresa vai acatar “a decisão final que vier a ser proferida pela Justiça”.

Leia também: o pedido do MP para vender os carros de Deolane e o anel de Marina Ruy Barbosa no processo da Marabraz. Mais em Famosos e Música.

Com informações de Daniel Nascimento, do O Dia; The Music Journal Brazil, via Terra; Kátia Flávia, do Jornal de Brasília; Billboard Brasil; Código Civil (Lei 10.406/2002); e Código de Processo Civil (Lei 13.105/2015).

— Cláudia Fofoka

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