Aline Barros e o marido são alvo de ação de R$ 398 mil; empresa fala em fraude e cantora nega
A Fanplay alega que receitas da carreira da cantora passaram a outras empresas. A assessoria diz que é divergência contratual e nega fraude.
- A empresa Fanplay quer que Aline Barros e o marido, Gilmar Santos, respondam com o próprio patrimônio por uma dívida de R$ 398,5 mil.
- A dívida é do Grupo Gênesis, produtora de que o casal era sócio e que foi encerrada em 2025; a credora alega ocultação de patrimônio.
- A assessoria da cantora nega fraude, e dois pedidos de bloqueio de bens já foram negados, em julho e em agosto.
Aline Barros, 50, e o marido, o ex-jogador Gilmar Santos, são alvo de um pedido na Justiça de São Paulo para pagar com bens pessoais uma dívida de R$ 398.506,90. A cobrança é da Fanplay Technology Produções e Eventos, que alega que recursos foram afastados da empresa devedora para dificultar o pagamento.
Os documentos do processo foram publicados pelo colunista Daniel Nascimento, do jornal O Dia. A assessoria da cantora confirma a disputa e nega fraude.
Por que Aline Barros entrou no processo?
A história começa em 2019, quando a Fanplay fechou uma parceria com o Grupo Gênesis de Produções e Eventos Itinerantes, produtora de que Aline e Gilmar eram sócios. A Fanplay adiantou R$ 120 mil para bancar o primeiro evento.
O evento aconteceu, mas o que foi arrecadado não cobriu as despesas nem devolveu o adiantamento, e uma segunda produção não saiu do papel. A Fanplay foi à Justiça em 2020, e o Grupo Gênesis foi condenado, em decisão definitiva, a devolver R$ 125 mil, com juros e correção.
A cobrança travou quando a produtora fechou. A extinção do Grupo Gênesis foi registrada na Junta Comercial do Rio de Janeiro em maio de 2025, com a dívida ainda em cobrança. Segundo a Fanplay, o documento informava que as atividades tinham terminado em 2023.

O que a empresa alega contra Aline Barros e o marido?
Em maio de 2026, a Fanplay abriu um incidente de desconsideração da personalidade jurídica. Além do casal, incluiu o empresário Ivanildo Medeiros Nunes, a Aline Barros Produções Artísticas e duas empresas de Vila Velha (ES), a Criative Music e a Criative Agenciamento.
A credora fala em confusão patrimonial e sucessão empresarial irregular: receitas da carreira de Aline teriam passado a outras empresas enquanto a dívida seguia sem pagamento. Cita um contrato de janeiro de 2023 em que a Criative Music representa a cantora com exclusividade e fica com 10% de cada contratação.
A Fanplay também aponta uma suposta distribuição de R$ 33 milhões em lucros pela Criative Music, que teria capital social de R$ 3,5 milhões.
Aline Barros pode ter os bens bloqueados?
Pelo artigo 50 do Código Civil, o juiz pode estender a dívida de uma empresa aos bens de sócios e administradores quando há abuso: desvio de finalidade, que é usar a empresa para lesar credores, ou confusão patrimonial, quando o dinheiro da empresa e o dos sócios não são separados de fato.
A mesma lei fixa um limite: a simples existência de um grupo de empresas, sem esses requisitos, não autoriza a medida. Pelo Código de Processo Civil, os citados têm 15 dias para se defender e pedir provas, e só depois o juiz decide (artigos 133 a 136).
A Fanplay pediu o bloqueio imediato de contas e a retenção de pagamentos de prefeituras, como Itaboraí (RJ) e Balsas (MA), sem aviso prévio aos citados. Em 30 de julho, o juiz André Frederico de Sena Horta, da 1ª Vara Cível de Barueri, negou por falta de elementos suficientes naquele momento.
A empresa recorreu ao Tribunal de Justiça de São Paulo, pedindo o bloqueio de até R$ 361.084,65. Em 7 de agosto, o desembargador Elói Estevão Troly, da 15ª Câmara de Direito Privado, também negou. As duas decisões tratam só do bloqueio; até 6 de outubro, data dos documentos, não havia decisão sobre o mérito.

O que diz a assessoria de Aline Barros?
Em nota, a equipe da cantora afirma que o processo trata de uma parceria comercial para um evento virtual feito na pandemia de covid-19, e que houve “interpretações divergentes” sobre as obrigações de cada lado quando o contrato acabou.
“Obviamente, não há qualquer motivação para se falar em fraude ou algo do tipo, uma vez que nossa empresa sempre atuou e continua atuando rigorosamente dentro da lei (…).”
Assessoria de Aline Barros, em nota sobre o processo, em outubro de 2026
A nota chama as alegações da Fanplay de “mera e descabida ilação” e diz que a empresa vai acatar “a decisão final que vier a ser proferida pela Justiça”.
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Com informações de Daniel Nascimento, do O Dia; The Music Journal Brazil, via Terra; Kátia Flávia, do Jornal de Brasília; Billboard Brasil; Código Civil (Lei 10.406/2002); e Código de Processo Civil (Lei 13.105/2015).
— Cláudia Fofoka

