Solano Ribeiro morre aos 87 anos; a trajetória do produtor dos festivais da MPB na TV
Solano criou o festival da Excelsior de 1965, que consagrou Elis Regina com Arrastão. Produziu edições da Record e dirigiu festival da Globo em 2000.
- Solano Ribeiro morreu na madrugada de sábado (31), aos 87 anos, em São Paulo.
- Ele criou o festival da Excelsior de 1965 e produziu edições da Record que projetaram nomes da MPB.
- A TV Cultura informou que ele tratava um câncer; o velório foi marcado para o próprio sábado, em Vargem Grande Paulista.
Solano Ribeiro morreu na madrugada de sábado (31), aos 87 anos, em São Paulo. O produtor criou o festival da TV Excelsior de 1965 e organizou competições da Record que ajudaram a projetar uma geração da música brasileira.
A TV Cultura confirmou a morte. Segundo a emissora, Solano estava em tratamento de câncer e recebia cuidados paliativos em uma clínica na capital paulista. A filha, Solana Ribeiro, também lamentou a perda nas redes sociais.
Solano e os artistas dos festivais
arraste para o ladoO que se sabe sobre a morte e a despedida de Solano Ribeiro?
A TV Cultura informou que ele estava em tratamento de câncer. Nas redes, no sábado (31), Solana escreveu: “Sem palavras… ‘Papi’ que saudade vou sentir de você…”
O velório foi marcado para o sábado (31), das 15h às 17h, no Cemitério Bosque da Paz, em Vargem Grande Paulista, na Grande São Paulo.
A Rádio Cultura Brasil, onde ele apresentava um programa semanal desde 2006, publicou uma nota de pesar:
“A Rádio Cultura Brasil perde um profissional insubstituível. Gratidão eterna ao mestre Solano Ribeiro.”
Rádio Cultura Brasil, em nota de pesar divulgada no sábado, 31 de outubro de 2026
Quais festivais Solano Ribeiro criou ou produziu?
Na Excelsior, Solano idealizou o 1º Festival Nacional de Música Popular Brasileira, de 1965. A vencedora foi Arrastão, de Edu Lobo e Vinicius de Moraes, interpretada por Elis Regina. A apresentação deu projeção nacional à cantora.
Na Record, realizou o festival de 1966, que terminou com empate no primeiro lugar: A Banda, de Chico Buarque, defendida por Nara Leão, e Disparada, de Geraldo Vandré e Théo de Barros, na voz de Jair Rodrigues.
Em 1967, dirigiu o III Festival da Música Popular Brasileira da Record. Ponteio, de Edu Lobo e Capinam, venceu com Edu e Marília Medalha. Domingo no Parque, de Gilberto Gil, ficou em segundo; Roda Viva, de Chico, em terceiro; Alegria, Alegria, de Caetano Veloso, em quarto.

Na Globo, realizou o VII Festival Internacional da Canção, em 1972. Na fase nacional, foram premiadas Fio Maravilha, de Jorge Ben, cantada por Maria Alcina, e Diálogo, de Baden Powell e Paulo César Pinheiro.
Como funcionavam os festivais da MPB na televisão?
As canções eram inscritas e passavam por seleção antes de chegar ao palco da televisão. No festival da Excelsior de 1965, um júri escolheu 36 entre 1.290 músicas. Elas disputaram três eliminatórias, com 12 apresentações em cada noite.
O modelo colocava compositores e intérpretes em competição. No festival da Record de 1967, quatro músicas de cada eliminatória avançaram para uma final de 12 concorrentes. A decisão cabia ao júri, diante de uma plateia que aplaudia e vaiava suas preferidas.
A final de 1967 foi transmitida ao vivo. A combinação de canções inéditas, disputa e reação da plateia deu exposição aos artistas. A exposição pela TV ajudou a impulsionar carreiras, como a de Elis Regina depois de Arrastão, e a levar aquelas canções para além dos auditórios.

Qual é a ligação de Solano Ribeiro com Uma Noite em 67?
Solano é um dos depoentes de Uma Noite em 67, documentário de Renato Terra e Ricardo Calil lançado em 2010. O filme recupera a final da Record de 21 de outubro de 1967, com apresentações, bastidores e entrevistas dos participantes.
Sua carreira continuou depois daquela década. Em 2000, foi diretor do Festival da Música Brasileira, na Globo, cuja canção vencedora foi Tudo Bem, Meu Bem, de Ricardo Soares. Em 2005, produziu o Festival Cultura — A Nova Música do Brasil.
Os bastidores também viraram o livro Prepare seu Coração: a História dos Grandes Festivais, lançado em 2003. Desde 2006, no programa Solano Ribeiro e a Nova Música do Brasil, da Rádio Cultura Brasil, ele divulgava novos artistas e produção independente.
Na mesma semana, a TV perdeu Rose Elias, a produtora que implantou A Fazenda na Record, aos 55 anos.
Com informações de Mariana Valbão, da CNN Brasil; das redações de UOL e O Globo; de Vinícius Veloso, do Metrópoles; da Folha de S.Paulo; do Dicionário Cravo Albin; do Memória Globo; de José Fernando Saroba Monteiro, do Musica Brasilis; do Memórias da Ditadura; de Beatriz Carrasco, do Terra; da TV Brasil; e da TV Cultura.
— Cláudia Fofoka






