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Ted Lasso 4ª temporada: a nota no Rotten Tomatoes e o que muda

A série voltou nesta quarta ao Apple TV com Ted treinando o time feminino do AFC Richmond. A nota está em 89% e não é a pior da franquia, como circulou em português — a pior é a 3ª temporada, com 81%. Por que o número pulou de 91 para 78 e voltou para 89.

Jason Sudeikis como Ted Lasso, de bigode e camisa polo escura, sentado num escritório
Jason Sudeikis como Ted Lasso na 4ª temporada, agora à frente do time feminino do AFC Richmond. Divulgação/Apple TV
  • A 4ª temporada de “Ted Lasso” estreou nesta quarta-feira (5) no Apple TV, três anos depois da anterior. São 10 episódios, semanais, até 7 de outubro.
  • Ted agora treina o time feminino do AFC Richmond, na segunda divisão — a virada que a série usou para se justificar depois de um final que parecia fechado.
  • A nota no Rotten Tomatoes está em 89%, “Certified Fresh”. Ao contrário do que circulou em português, não é a pior da franquia: a pior é a 3ª temporada, com 81%.

“Ted Lasso” voltou nesta quarta-feira (5). A quarta temporada estreou no Apple TV com dez episódios, liberados semanalmente até 7 de outubro, e com uma mudança que reorganiza a série inteira: o técnico americano de bigode agora comanda o time feminino do AFC Richmond, na segunda divisão.

Junto com a estreia veio uma confusão de números que vale desfazer, porque ela responde à pergunta que todo mundo está digitando hoje: a nova temporada presta?

A nota que apareceu errada em português

Circulou por aqui a informação de que a temporada voltou com a pior nota da franquia no Rotten Tomatoes. Não é o caso. As notas da crítica, temporada por temporada:

  • 1ª temporada — 92%, com 72 críticas
  • 2ª temporada — 98%, com 125 críticas
  • 3ª temporada81%, com 207 críticas — a pior da série
  • 4ª temporada89%, com 56 críticas até agora

A quarta é a segunda mais baixa, e está oito pontos acima da que de fato é a pior. Ela também entrou como “Certified Fresh”, selo que a terceira não tem.

Elenco de Ted Lasso posando de braços cruzados com uniformes do AFC Richmond
O elenco de “Ted Lasso”; a série voltou depois de três anos de intervalo. Divulgação/Apple TV

Por que a nota ficou pulando de 91 para 78 e voltou para 89

Durante esta quarta-feira, quem foi conferir o Rotten Tomatoes em horários diferentes viu números diferentes: a temporada apareceu com 91%, depois caiu para 78% e fechou o dia em 89%, como acompanhou Tim Lammers, na Forbes. Isso explica manchetes contraditórias publicadas no mesmo dia — cada uma capturou um instante.

Duas coisas sobre o Rotten Tomatoes fazem isso acontecer, e quase ninguém as conta.

A porcentagem não é uma média de notas. É a fatia de críticos que aprovou. Cada resenha é classificada apenas como positiva ou negativa. Uma temporada em que todos os críticos deram “bom, mas não empolga” marca 100%; outra em que metade deu nota máxima e metade detestou marca 50%. O número mede consenso, não qualidade — e é por isso que ele nunca traduz bem “vale a pena assistir”.

Com poucas resenhas, cada uma pesa muito. Está aqui a razão do salto. A quarta temporada tinha cerca de 56 críticas; a terceira acumulou 207. Numa base de 20 ou 30 resenhas, três avaliações negativas seguidas derrubam a porcentagem em dez pontos ou mais. Na base de 207, as mesmas três não movem quase nada. O número de hoje é volátil por construção, e vai se assentar nas próximas semanas conforme o resto da crítica publicar.

O público gostou mais que a crítica

Há ainda um terceiro número que costuma ser confundido com o primeiro. O Rotten Tomatoes mantém duas contagens separadas: a da crítica profissional e a da audiência, votada por quem assiste. São réguas diferentes e frequentemente discordam.

Nesse segundo placar, a temporada nova vai melhor do que qualquer outra desde a estreia da série: é a melhor nota de audiência desde a 1ª temporada. Ou seja, os críticos estão divididos e o público que voltou está satisfeito — que é, historicamente, a situação em que uma série continua sendo renovada.

O problema que a temporada precisava resolver

Vale lembrar por que a divisão da crítica era esperada. A terceira temporada foi tratada por muita gente como final: Ted resolvia o que tinha para resolver e a história fechava. Voltar depois de três anos exige uma razão dramática nova, e a solução foi trocar o time — o mesmo clube, a mesma cidade, mas o elenco feminino e a segunda divisão, o que devolve à série o que ela tinha no começo e havia perdido: um time ruim, sem prestígio, que ninguém leva a sério.

Série que volta depois de anos e precisa provar por que rende texto por aqui: veja também “Star Wars: A Nona Jedi” e a discussão sobre o cânone. Mais estreia e bastidor de streaming na editoria de TV e realities.

O que a Foka achaA nota de estreia não diz nada sobre a temporada e diz muito sobre a pressa. Cinquenta e seis resenhas de um total que vai passar de duzentas é um número que ainda está se formando, e publicar manchete definitiva em cima dele é transformar ruído em veredito. A Fofoka acha que a informação útil de hoje é outra e ninguém deu destaque: a crítica está rachada e o público está mais satisfeito do que em qualquer momento desde 2020. Quando esses dois se desencontram numa comédia de sentimento, é quase sempre o público que estava certo — a terceira temporada tirou 81 da crítica e mesmo assim rendeu três anos de gente pedindo mais.

— Cláudia Fofoka

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