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Richarlison e a ilha em Angra: por que ele cobra R$ 10 milhões e o que a Justiça decidiu

A decisão de Brasília trata só das publicações e não resolve quem tem direito à mansão na Ilha Comprida. Richarlison pede que a Polícia Federal investigue e diz que quer o dinheiro de volta.

Richarlison de camiseta branca em vídeo gravado no carro, ao lado da vista aérea da mansão na Ilha Comprida
Richarlison em vídeo de 17 de outubro e a mansão em imagem de drone. Reprodução/Instagram @richarlison e @flaviobolsonaro
  • A Justiça de Brasília negou em agosto o pedido de urgência do advogado Willer Tomaz para obrigar Richarlison a apagar posts sobre uma mansão na Ilha Comprida, em Angra dos Reis.
  • O jogador diz ter gastado cerca de R$ 10 milhões no imóvel e cobra o dinheiro; Tomaz afirma ter comprado os direitos de forma regular, e Flávio Bolsonaro nega participação.
  • A decisão não trata de quem é o dono. Em disputa anterior, a Justiça do Rio e o STJ deram razão à empresa de Tomaz, e o processo acabou sem análise do mérito; Richarlison diz que a posse dele foi reconhecida.

Richarlison não foi obrigado, até agora, a apagar o que publicou sobre a mansão na Ilha Comprida, em Angra dos Reis. O juiz Giordano Resende Costa, da 4ª Vara Cível de Brasília, negou em agosto o pedido de urgência do advogado Willer Tomaz e da empresa dele, a WT Administração de Imóveis e Bens. A decisão foi noticiada nesta quinta (29).

O atacante do Tottenham diz que investiu cerca de R$ 10 milhões no imóvel e que o tomaram dele. A disputa envolve o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), citado por Richarlison e amigo de Tomaz. O senador nega ter participado do negócio.

Richarlison e a mansão na Ilha Comprida

arraste para o lado
  • Vista aérea de uma cachoeira que desce entre coqueiros e mata fechada, na Ilha Comprida
    A cachoeira da propriedade, no vídeo de drone publicado por Flávio Bolsonaro. Reprodução/Instagram @flaviobolsonaro
  • Richarlison de agasalho verde da seleção brasileira, falando em entrevista coletiva
    Richarlison em entrevista coletiva da seleção brasileira. Reprodução
  • Richarlison de agasalho claro e gola preta, com o cabelo descolorido, em treino do Tottenham
    O atacante em treino do Tottenham, da Inglaterra. Reprodução
  • Richarlison fala para a câmera em vídeo gravado em casa, com a legenda lutando pelo que é meu
    Em outro vídeo, Richarlison mostra os documentos da compra. Reprodução/Instagram @richarlison

O que a Justiça decidiu sobre Richarlison e a ilha?

Tomaz foi à Justiça em julho. Pedia a retirada das publicações, a proibição de novas, multa de R$ 50 mil por post e R$ 50 mil por dia de permanência, além de R$ 200 mil por danos morais.

O juiz negou a urgência em agosto. Parte do conteúdo estava em stories, que somem em 24 horas, e outra postagem já tinha sido removida. Sobre barrar novas falas, escreveu que a medida “aproxima-se perigosamente da restrição prévia à manifestação do pensamento”.

A ação continua. O pedido de indenização ainda será analisado, e Richarlison precisa ser citado por carta precatória, enviada à Justiça do Rio. Abusos nas redes podem ser examinados depois, ressaltou o magistrado. A decisão também não resolve quem tem direito à propriedade.

Por que Richarlison diz que perdeu a ilha?

Em vídeo publicado em 17 de outubro, ele conta que comprou o imóvel entre 2020 e 2021 em parceria com Alencar da Silveira Júnior, ex-presidente do América-MG, e com o ex-empresário Renato Velasco. Diz que recusou vender a Flávio Bolsonaro.

Como eu não quis vender, os caras pegaram na mão grande lá na Justiça […] Gastei em torno de 10 milhões lá e não recebi nada.

Richarlison, em vídeo no Instagram, em 17 de outubro de 2026
Richarlison fala para a câmera acima de um documento de homologação destacado em amarelo, com a legenda que eu comprei a ilha
Richarlison mostra documento em vídeo de 21 de outubro. Reprodução/Instagram @richarlison

No mesmo vídeo, ele pede que a Polícia Federal investigue o caso, diz que nem quer a ilha de volta e busca o dinheiro, e promete doar parte dele ao hospital de Nova Venécia, a cidade dele no Espírito Santo. No fim, porém, pede que cobrem Flávio Bolsonaro, que estaria no estado no dia seguinte, para devolver “minha ilha”.

O que dizem Willer Tomaz e Flávio Bolsonaro?

Tomaz sustenta que a empresa dele comprou de forma regular os direitos de ocupação da propriedade, por R$ 5 milhões, e nega irregularidade. A disputa começou em 2022, entre a WT e a Sport 70, ligada ao antigo empresário de Richarlison.

O Tribunal de Justiça do Rio decidiu a favor da empresa de Tomaz, e o STJ manteve esse entendimento em 2025. Depois, a Sport 70 desistiu da contestação, e o processo foi encerrado.

Vista aérea de uma mansão à beira-mar, com píer e cachoeira ao fundo, na Ilha Comprida, em Angra dos Reis
A mansão na Ilha Comprida em vídeo de drone publicado por Flávio Bolsonaro. Reprodução/Instagram @flaviobolsonaro

Flávio, arrolado como testemunha em 2022 pela empresa ligada ao jogador, nega ter participado da compra, da venda ou da intermediação. Diz que o nome dele entrou na disputa depois de uma visita ao imóvel, e que só tem relação de amizade com Tomaz.

Dá para comprar uma ilha no Brasil?

Em geral, não como se compra um terreno comum. A Constituição, no artigo 20, põe as ilhas costeiras entre os bens da União, com exceções como as que abrigam sede de município. Neste caso, as partes falam em direitos de ocupação e na Secretaria do Patrimônio da União (SPU), e não em escritura da ilha.

Richarlison afirma que um pedido de regularização ficou dez meses parado na SPU e que, nesse período, pessoas ligadas ao advogado assumiram o imóvel. Tomaz contesta a versão.

O que a Foka acha: a decisão impede, por ora, que Tomaz cale Richarlison, e a ação segue. Ela não resolve a disputa pela mansão, e o caminho que ele anunciou é cobrar o dinheiro em público e pedir que a Polícia Federal olhe o caso.

Também em Famosos: a decisão da OAB sobre Deolane Bezerra e a herança de Michael Douglas. Veja também a ficha de Richarlison e mais notícias em Famosos.

Com informações da redação do Congresso em Foco; de Lara Madeira, do Times Brasil; de Priscilla Mendes, do Portal Juristas; de João Pedro Melo, da Rádio Itatiaia; de Marcelo Hailer, da Revista Fórum; de Valentina Moreira, do SBT; do Estadão; e da Constituição Federal. Vídeos de Richarlison reproduzidos pelo UOL e pelo SBT.

— Cláudia Fofoka

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