Isabel Teixeira retirou as mamas sem ter câncer: o que é a síndrome de Li-Fraumeni
A Pilar de Quem Ama Cuida contou ao Fantástico que fez o teste genético em 2019, depois de perder a avó e a mãe para o câncer, e mudou a rotina para reduzir o risco.
- Isabel Teixeira, a Pilar de Quem Ama Cuida, contou no domingo (18) que tem a síndrome de Li-Fraumeni e que retirou as mamas de forma preventiva.
- A síndrome vem de uma alteração herdada no gene TP53 e aumenta o risco de vários tipos de câncer.
- No Paraná, a variante R337H do TP53 tem prevalência de 0,30%, segundo estudo publicado em 2025.
Isabel Teixeira, 52 anos, retirou as mamas sem ter câncer. A atriz, que vive a vilã Pilar em Quem Ama Cuida, contou em entrevista ao Fantástico, da TV Globo, exibida no domingo (18), que tem a síndrome de Li-Fraumeni, uma alteração genética herdada que aumenta o risco de câncer ao longo da vida.
A investigação começou pelo histórico da família. A avó de Isabel morreu de câncer em 2005; a mãe, em 2006. Em 2019, a atriz decidiu fazer o teste genético, que encontrou a alteração no gene TP53. Ela descreveu assim o dia do resultado:
“Num primeiro momento, eu fiquei sem chão, na hora. Eu me lembro no dia de eu tomar um banho muito longo e ficar parada, assim, e não entender o que estava acontecendo.”
Isabel Teixeira, em entrevista exibida em 18 de outubro de 2026
O que é a síndrome de Li-Fraumeni?
O TP53 produz uma proteína que freia a divisão de células com defeito. Quando o gene já vem alterado de nascença, essa defesa falha, e células com erro têm mais chance de virar tumor, em órgãos diferentes e muitas vezes em idade mais jovem do que o habitual.
Os tumores mais associados à síndrome são o câncer de mama, os sarcomas, os tumores cerebrais e o câncer da glândula adrenal. Ter a alteração não significa que o câncer vai aparecer.
A herança é dominante. Basta um dos pais carregar a alteração para que cada filho tenha 50% de chance de recebê-la, e é por isso que a síndrome pode deixar casos de câncer em várias gerações da mesma família.

Por que Isabel Teixeira retirou as mamas?
Depois do diagnóstico, a atriz parou de fumar, cortou o álcool e passou a fazer atividade física com regularidade. A retirada das mamas, chamada de mastectomia preventiva, entrou no mesmo conjunto de medidas, porque o câncer de mama está entre os tumores ligados à síndrome.
Os aplicativos que pagam para gravar tarefas com o celularO ranking de 2026: quanto cada um paga em reais e como você recebe.Ajudo · Renda extraVer o rankingA cirurgia reduz o risco nas mamas, mas não elimina a possibilidade de outros tumores associados à síndrome. Por isso o acompanhamento é contínuo, com exames periódicos que, segundo a médica Ananda Arruda, que atua em nutrologia e medicina de precisão, podem incluir ressonância magnética de corpo inteiro, conforme a idade e o histórico de cada paciente.
Para a mesma médica, o sinal para procurar avaliação genética é o conjunto da história familiar: tumores diagnosticados muito cedo, tipos diferentes de câncer entre parentes próximos ou uma mesma pessoa com mais de um tumor.
Depois do próprio diagnóstico, a atriz testou os dois filhos:
“Meu filho deu negativo e minha filha deu positivo. Também é um outro choque.”
Isabel Teixeira, em entrevista exibida em 18 de outubro de 2026
Por que essa alteração é mais frequente no Sul e no Sudeste?
No Sul e no Sudeste do país circula uma variante específica do TP53, chamada R337H. Um estudo publicado em 2025 na revista Current Oncology reúne as prevalências já medidas: 0,30% no Paraná, cerca de uma pessoa em cada 330, 0,249% em Santa Catarina e 0,21% em cidades ao redor de Campinas (SP).
O mesmo trabalho atribui a variante a um efeito fundador: ela teria partido de um ancestral comum, provavelmente de origem ibérica, e se espalhado entre os descendentes. O estudo classifica a R337H entre as variantes menos patogênicas do TP53; Isabel não disse qual alteração tem.
O Instituto Nacional de Câncer (Inca) analisa mais de 100 mil amostras do teste do pezinho para medir a presença da variante no país.

Isabel Teixeira ficou conhecida do país em 2022, como a Maria Bruaca do remake de Pantanal. Depois fez as vilãs Helena, em Elas por Elas, e Violeta, em Volta por Cima. Em Quem Ama Cuida, a personagem dela está no centro do mistério sobre quem Pilar matou.
Sobre a chance de adoecer, a atriz disse:
“Talvez eu tenha câncer. Esse é um medo que não me paralisa, porque eu acredito que a prevenção também é cura.”
Isabel Teixeira, em entrevista exibida em 18 de outubro de 2026
Outro ator da novela que falou da própria saúde foi José Loreto, que usa um sensor no braço para controlar o diabetes. Mais na página de Isabel Teixeira e em Famosos.
Com informações da entrevista de Isabel Teixeira ao Fantástico, da TV Globo; Caroline Ferreira, da CNN Brasil; Ana Beatriz Sousa, do Correio; Lorena Vieira, da Itatiaia; Renata Garre, do Terra; da redação do DGABC; do GARD, o centro de doenças raras do NIH; e do estudo de Falcon-de Legal e colegas na Current Oncology (2025). Imagens: gshow e Globo.
— Cláudia Fofoka
