Astro de Indiana Jones, Harrison Ford, 84, se arrepende de “Sabrina”: “Aventura bizarra”
Ford rejeita a ideia de refazer um clássico de Billy Wilder, mas credita ao filme o começo das carreiras de Julia Ormond e Greg Kinnear.
- Harrison Ford, 84, disse que se arrepende de “Sabrina”, refilmagem de 1995 que lhe rendeu indicação ao Globo de Ouro.
- “Não há motivo para fazer algo que já foi feito”, afirmou o ator sobre o remake do clássico de Billy Wilder.
- Ele credita ao filme o começo de duas carreiras: as de Julia Ormond e Greg Kinnear.
Sessenta anos de carreira, Han Solo, Rick Deckard, Indiana Jones — e o filme que Harrison Ford aponta como arrependimento da carreira é “Sabrina”, de 1995. O ator, hoje com 84 anos, foi indicado ao Globo de Ouro por esse papel.
A declaração saiu em entrevista à revista britânica Far Out. Ford fala do filme junto com o diretor Sydney Pollack, morto em 2008, e a conclusão dos dois é a mesma.
De algum jeito, Sydney Pollack e eu nos convencemos a trabalhar nisso. Sydney já morreu. Sinto falta dele. Nós dois vivemos o suficiente para nos arrependermos do filme. Não há motivo para fazer algo que já foi feito.
Harrison Ford, à revista britânica Far Out
Que filme Harrison Ford se arrepende de ter feito?
“Sabrina”, que estreou em 15 de dezembro de 1995. Ford é Linus Larrabee, o irmão mais velho de uma família rica que tenta impedir o romance entre o irmão caçula, David (Greg Kinnear), e Sabrina (Julia Ormond), filha do motorista da casa.
O que ele critica é a decisão de refazer. O original de 1954 é de Billy Wilder, com Audrey Hepburn, Humphrey Bogart e William Holden — três nomes que a versão nova teria de superar para justificar a existência.

Ainda assim, ele não joga tudo fora. Na mesma entrevista, Ford aponta o que considera o ganho do projeto: dois atores que entraram no cinema por ali.
Foi um esforço nobre, uma aventura bizarra para mim e Pollack. Felizmente, lançamos as carreiras de Greg Kinnear e Julia Ormond, que está maravilhosa no filme.
Harrison Ford, à revista britânica Far Out
O caso de Kinnear é o mais claro. Antes de “Sabrina” ele apresentava o Talk Soup, programa do canal E! que zoava a TV americana. Saiu de lá para contracenar com Harrison Ford e levou o prêmio de ator revelação da associação de críticos de Chicago.
Por que refazer um clássico raramente compensa?
Pela conta. “Sabrina” custou entre US$ 50 milhões e US$ 58 milhões e arrecadou US$ 87,1 milhões no mundo, sendo US$ 53 milhões nos Estados Unidos. Parece lucro, mas a conta do cinema não funciona assim.
O estúdio não fica com a bilheteria inteira: cerca de metade do dinheiro do ingresso para no cinema. E a divulgação de um lançamento grande de Natal não entra no orçamento de produção — é uma conta à parte, que costuma custar dezenas de milhões.

Some a isso o problema que Ford descreve. Um remake começa sendo comparado com o original, e o de 1954 é Billy Wilder no auge. Os críticos fizeram exatamente isso: o filme ficou em 60% de aprovação no Rotten Tomatoes, com elogios a Julia Ormond e ressalvas sobre a necessidade da refilmagem.
O que sobrou de prêmio veio da música, não da história: as duas indicações ao Oscar foram para a trilha de John Williams e para a canção “Moonlight”. Ford ficou com a indicação ao Globo de Ouro de melhor ator em comédia ou musical.
Harrison Ford saiu de “Falando a Real”?
Não saiu. Ford está confirmado na quarta temporada de “Falando a Real”, a comédia do Apple TV+ em que faz o terapeuta Paul Rhoades. Bill Lawrence, criador da série, avisou que a nova leva vai pular alguns anos à frente na história.
A série está parada desde abril, o que explica a dúvida. A terceira temporada estreou em 28 de janeiro e fechou os 11 episódios em 8 de abril, com Jeff Daniels entre os convidados.

Outra dúvida que aparece junto: o Parkinson é do personagem. Paul convive com a doença na trama, e a terceira temporada trouxe Michael J. Fox, que tem Parkinson há mais de 30 anos, para participar. Ford nunca anunciou diagnóstico nenhum.
O papel também rendeu a ele algo que seis décadas de cinema não tinham rendido: em julho de 2025, aos 83, Ford recebeu a primeira indicação ao Emmy da carreira. Lawrence assina também Ted Lasso, que volta para a quarta temporada, na mesma casa.
O que a Foka acha: ator raramente cutuca o próprio currículo, e menos ainda um trabalho que lhe deu indicação a prêmio. A régua que Ford usou não foi bilheteria nem nota de crítico: foi se o filme precisava existir. Pela própria conta dele, “Sabrina” deixou duas carreiras de pé — o que já é mais do que a maioria dos remakes entrega.
Mais gente de Hollywood pegando série de streaming: Jon Hamm no trailer de American Hostage e Jeffrey Dean Morgan em Sterling Point. Tem mais no Famosos.
— Cláudia Fofoka
Com informações da CNN Brasil e da revista britânica Far Out.