Quem escreveu I Will Always Love You? Dolly Parton, que disse não a Elvis e faturou milhões
A canção é de 1973 e nasceu como carta de demissão. O empresário de Elvis Presley exigiu metade dos direitos de edição para gravá-la, e a recusa de Dolly valeu uma fortuna dezoito anos depois.
- “I Will Always Love You” é de Dolly Parton, que escreveu a letra em 1973 como carta de despedida ao sócio Porter Wagoner.
- Elvis Presley ia gravar em 1974, mas o empresário dele exigiu metade dos direitos de edição. Ela disse não e chorou.
- Dezoito anos depois, a versão de Whitney Houston rendeu a Dolly cerca de US$ 10 milhões — dinheiro que virou imóvel em Nashville.
A música que o mundo associa a Whitney Houston foi escrita por Dolly Parton, morta nesta terça-feira (25) aos 80 anos. Ela compôs “I Will Always Love You” em 1973, gravou no ano seguinte e chegou ao primeiro lugar da parada country.
Não era canção de amor romântico. Era a carta de saída de um contrato de trabalho, escrita para o homem que a tirou do anonimato e não queria deixá-la ir.
Para quem Dolly Parton escreveu a música?
Para Porter Wagoner. Dolly entrou no programa de TV dele em 1967, aos 21 anos, como a cantora do elenco fixo. Foram sete anos de dueto e de contrato, e ele controlava a carreira dela.
Quando decidiu sair para seguir sozinha, a conversa não andava. Ela então escreveu a música e cantou para ele no escritório. Wagoner ouviu e liberou a saída.

Por que ela disse não a Elvis Presley?
Porque o preço era a metade da música. Elvis queria gravar, a sessão estava marcada, e na véspera o empresário dele, o coronel Tom Parker, avisou: só haveria gravação se Elvis ficasse com metade dos direitos de edição.
Dolly recusou e passou a noite chorando. Anos depois explicou a régua que aplicava às próprias composições: “São minhas músicas. São como meus filhos. E eu espero que elas me sustentem quando eu for velha”.
“Eu queria ouvir o Elvis cantando, e partiu meu coração. Chorei a noite toda. Mas eu tinha de manter aquele direito autoral no meu bolso. Você tem de cuidar do seu negócio.”
Dolly Parton, ao contar como respondeu à exigência do coronel Tom Parker
Quanto rendeu a versão de Whitney Houston?
Cerca de US$ 10 milhões só na década de 1990. Whitney gravou a balada para a trilha de “O Guarda-Costas”, em 1992, e o single passou 14 semanas em primeiro lugar na Billboard Hot 100.
Aqui está o mecanismo que a recusa a Elvis protegeu. Uma canção tem dois donos separados: quem escreveu a obra e quem gravou aquele fonograma. A gravação de 1992 é da Whitney; a música continuou sendo da Dolly.
Por isso cada execução no rádio, cada cópia vendida e cada uso em filme pagam também à compositora, sem que ela cante uma nota. Se tivesse cedido metade da edição em 1974, metade desses US$ 10 milhões teria ido para o outro lado.
Onde foi parar o dinheiro da música?
Num prédio. Dolly contou em 2021, no programa de Andy Cohen, que usou os royalties para comprar um complexo de escritórios numa área historicamente negra de Nashville, em homenagem a Whitney.
Ela deu nome ao imóvel: “a casa que a Whitney construiu”. A explicação que usou foi direta — o dinheiro veio de uma mulher negra, então ia para uma comunidade negra.

A música ainda deu a Dolly um feito raro: ela levou a mesma canção ao topo da parada country duas vezes, em 1974 e de novo em 1982, com a regravação feita para o filme “A Melhor Casa Suspeita do Texas”.
O que a Foka acha: a história é quase sempre contada como sorte — a Whitney escolheu a música, a Dolly ficou rica. A parte que some é 1974: aos 28 anos, saindo do único emprego fixo que tinha, ela recusou o artista mais famoso do planeta para não ceder metade da edição. Os US$ 10 milhões de 1992 vieram daquela noite de choro.
Mais sobre a carreira e o acervo dela em Música: a morte aos 80 anos e o que a família pediu, o último vídeo em que ela falou da saúde, a disputa pela casa de Gal Costa e o cortejo de Bonnie Tyler.
Com informações de entrevistas de Dolly Parton ao programa “Watch What Happens Live”, de Andy Cohen, e à revista Forbes, e do acervo da Billboard.
— Cláudia Fofoka