Perez Hilton hospitalizado: o que aconteceu e quem é ele
Espectadores de uma live no TikTok acionaram a polícia de Miami-Dade na noite de terça (4). O blogueiro foi retirado em segurança de casa e levado a um hospital. A família pediu privacidade.
- Perez Hilton, 48, foi levado a um hospital de Miami na noite de terça (4) depois que espectadores de uma live no TikTok acionaram a polícia.
- O Gabinete do Xerife de Miami-Dade confirmou que ele estava sozinho em casa e foi “recuperado em segurança”, com apoio de equipes de crise em saúde mental.
- A família pediu privacidade. Ele passa por avaliação e recebe cuidado médico.
Perez Hilton, o blogueiro que inventou o formato moderno da fofoca de celebridade na internet, foi hospitalizado em Miami na noite desta terça-feira (4). Espectadores de uma transmissão ao vivo no TikTok ligaram para a polícia; várias chamadas chegaram ao Gabinete do Xerife de Miami-Dade relatando que um homem transmitia atos de automutilação nas redes sociais.
Os agentes foram até a casa dele, falaram com familiares no local, confirmaram que ele estava sozinho dentro do imóvel e o retiraram “em segurança”, nas palavras do próprio gabinete. O Miami-Dade Fire Rescue levou o blogueiro a um hospital. As informações são de Emilie Dorn, Dennis Romero e Matt Lavietes, da NBC News, e de Conor Murray, da Forbes. O TikTok tirou o vídeo do ar.
Perez Hilton em imagens
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O que a família e a equipe dele disseram
Nesta quarta-feira (5), o site do próprio blogueiro publicou uma nota assinada pela família e pela equipe:
Podemos confirmar que Perez está recebendo cuidado médico, e o foco da nossa família agora é o bem-estar dele. Pedimos gentilmente que respeitem a privacidade de Perez e a da família dele neste momento difícil.
Nota da família de Perez Hilton
Dante Rusciolelli, presidente da Golden Artists Entertainment, empresa que representa o blogueiro, disse não ter informação adicional confirmada sobre o quadro dele e repetiu o pedido de privacidade.
Como funciona uma intervenção de crise — e por que ela demora
Este é o mecanismo que quase ninguém explica e que vale para qualquer pessoa que um dia esteja do outro lado da tela. Quando a polícia chega a uma casa em que alguém está em crise, a última coisa que ela deve fazer é entrar correndo. O gabinete de Miami-Dade descreveu o protocolo com as próprias palavras: a resposta a uma crise de saúde mental passa por “criar tempo, distância e oportunidades de comunicação”.
Cada um desses três termos tem função:
- Tempo — crises agudas têm pico e queda. Prolongar o contato costuma bastar para o pico passar.
- Distância — aproximação física é lida como ameaça e acelera o desfecho ruim. Manter espaço reduz o risco para todo mundo, inclusive para os agentes.
- Comunicação — falar com familiares, descobrir se há mais alguém na casa, achar quem a pessoa escuta. Foi por isso que os agentes falaram com a família antes de agir.
É por esse motivo que uma ocorrência assim leva horas e a rua fica isolada. Do lado de fora parece lentidão; do lado de dentro, é a técnica que dá certo com mais frequência.

O que fazer se você vir uma live assim
Os espectadores da transmissão fizeram exatamente o que funciona: ligaram para a emergência e pediram, nos comentários, uma forma de localizar a pessoa. Foi essa ligação que colocou uma viatura na porta.
- Ligue 190 (Polícia Militar) ou 192 (SAMU) e diga onde a pessoa está, se você souber. Se não souber, diga a plataforma e o perfil.
- Denuncie a transmissão dentro do próprio app. Live com risco à vida entra numa fila prioritária de moderação, diferente da fila comum.
- Fale com a pessoa, se houver comentário aberto. Presença faz diferença.
- Não grave, não salve e não reposte. Compartilhar aumenta o alcance da cena e é o que atrapalha o socorro.
O CVV atende 24 horas, de graça, pelo telefone 188, e também por chat e e-mail em cvv.org.br. O atendimento é anônimo e serve tanto para quem está em crise quanto para quem está preocupado com alguém.
Quem é Perez Hilton
Mario Armando Lavandeira Jr., 48 anos, cubano-americano, adotou o apelido Perez Hilton em 2004 e virou o nome mais poderoso da fofoca online da década. O site dele fazia o que ninguém fazia: publicava primeiro, publicava rápido e publicava sem pedir licença — muitas vezes rabiscando as fotos dos famosos com legendas humilhantes.
Em 2010, depois de uma onda de suicídios de adolescentes gays nos Estados Unidos, ele foi ao programa de Ellen DeGeneres anunciar que pararia de humilhar as pessoas no site.
Eu realmente quero ser parte da solução, e não parte do problema.
Perez Hilton, no programa de Ellen DeGeneres, em 2010
Hoje ele é pai solo de três crianças, todas com menos de 14 anos, nascidas por barriga de aluguel, e apresenta o “The Perez Hilton Podcast with Chris Booker”. Em junho, anunciou no Instagram que a família voltaria a morar em Miami depois de três anos e meio em Las Vegas, num vídeo em que também falava de uma internação recente. “Manifestando saúde, saúde boa — é o mais importante”, disse na ocasião.
A reação veio dividida
Junto das mensagens de apoio, apareceram as contas antigas. Ireland Baldwin, filha de Alec Baldwin e Kim Basinger, publicou uma lista de acusações contra o blogueiro: diz que ele humilhou publicamente a família dela durante anos, que a sexualizou quando ela ainda era criança e que comentava o corpo e o peso dela na mesma época.
Perez Hilton humilhou publicamente minha família por anos […] e sempre foi um ser humano desprezível.
Ireland Baldwin, em publicação nas redes sociais
Baldwin ainda era criança quando o áudio de uma briga familiar vazou e virou piada em todo blog de celebridade dos Estados Unidos — o de Perez Hilton incluído. A fala dela não é sobre o episódio desta semana; é sobre o que veio antes dele.
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O que a Foka achaDuas coisas verdadeiras ao mesmo tempo: Perez Hilton passou vinte anos ganhando dinheiro com a humilhação de outras pessoas, e nada disso torna aceitável transformar a crise dele em espetáculo. As duas frases não se cancelam. Quem quiser fazer as contas do passado que faça — com ele consciente e fora do hospital. O detalhe que fica desta noite é o oposto do que ele construiu: as pessoas que assistiam não filmaram nem repostaram, elas ligaram para a polícia. É exatamente o que o site dele nunca fez por ninguém.
— Cláudia Fofoka




