Unabomber na Netflix é história real? O que é fato e o que é ficção no filme com Jacob Tremblay
O filme com Jacob Tremblay, Russell Crowe e Shailene Woodley estreou nesta sexta (25) e sugere que um estudo de Harvard ajudou a formar o terrorista. Essa ligação não está provada; a prisão pelo manifesto, sim.
- “Unabomber”, que estreou na Netflix nesta sexta (25), conta a história de Ted Kaczynski, que matou três pessoas com bombas entre 1978 e 1995.
- O estudo de Harvard com o professor Henry Murray, vivido por Russell Crowe, existiu; a agente do FBI de Shailene Woodley é uma personagem inventada a partir de várias pessoas.
- O filme sugere que o estudo ajudou a formar o terrorista, ligação que não está provada.
Unabomber, que chegou à Netflix nesta sexta-feira (25), é inspirado na história real de Ted Kaczynski. Jacob Tremblay vive Kaczynski jovem, Russell Crowe é o professor de Harvard Henry Murray e Shailene Woodley faz a agente do FBI Joanne Miller. A direção é do dinamarquês Janus Metz.
O filme alterna duas épocas: Harvard no fim dos anos 1950, quando Kaczynski tinha 16 anos, e a caçada do FBI nos anos 1990. A Netflix classifica o longa como drama inspirado em fatos reais, não como documentário.
Quem foi Ted Kaczynski, o Unabomber?
Nascido em Chicago em 1942, Kaczynski entrou em Harvard aos 16 anos, com bolsa, e se formou em matemática em 1962. Fez mestrado e doutorado em Michigan e, aos 25, virou professor em Berkeley. Largou a universidade em 1969 e, em 1971, foi viver numa cabana que ele mesmo construiu perto de Lincoln, em Montana.
De 1978 a 1995, mandou e deixou bombas em universidades, empresas e para pessoas ligadas a companhias aéreas e à tecnologia. Três pessoas morreram e mais de 20 ficaram feridas. O FBI chamou o caso de UNABOM, sigla em inglês para atentados a universidades e companhias aéreas, e daí veio o apelido.

O estudo de Harvard com Henry Murray existiu?
Existiu. Henry Murray, professor de psicologia de Harvard, fez um estudo com alunos, e Kaczynski foi um dos participantes. No filme, o estudo é apresentado a ele como treino para debates e vira sessões em que as convicções dele são atacadas diante dos pesquisadores.
O filme sugere que essa experiência ajudou a transformar o estudante no autor dos atentados. Essa ligação não está provada, e foi o ponto que mais dividiu a crítica. Na estreia, o longa tinha 32% de aprovação no Rotten Tomatoes, com 19 críticas.
A agente do FBI de Shailene Woodley existiu?
Não como pessoa. Joanne Miller é uma personagem composta, e quem conta é a própria atriz: “Joanne era uma amálgama de muitos detetives”, disse Woodley numa entrevista dois dias antes da estreia, em tradução livre. Na trama, ela é especialista em perfil e em linguística e tenta achar o autor pelo jeito de escrever.

Como o Unabomber foi preso?
Pelo próprio texto. Em 1995, Kaczynski mandou à imprensa um manifesto de cerca de 35 mil palavras contra a sociedade industrial e prometeu parar os atentados se ele fosse publicado. O FBI apoiou a publicação, feita pelo Washington Post e pelo New York Times, na esperança de que alguém reconhecesse o autor.
Quem reconheceu foi David Kaczynski, irmão dele, que notou semelhanças com textos antigos de Ted e procurou o FBI. A análise da linguagem dos dois textos ajudou a obter o mandado. Kaczynski foi preso na cabana em 3 de abril de 1996, com peças de bomba, milhares de páginas escritas à mão e um explosivo pronto para envio.
Ele se declarou culpado em 1998 e foi condenado à prisão perpétua. Morreu preso em junho de 2023, aos 81 anos.
Mais histórias reais que viraram série e filme em TV: o que é fato e ficção em Monstro: A História de Lizzie Borden, quem foi Jolene de verdade e o elenco de Não Deseje Boa Sorte, da Netflix.
Com informações de Maria Luiza Pereira, da Exame, de Pedro Castro, da NiT, de Tyler Treese, da ComingSoon, de Erin Maxwell, da TV Insider, e de Edipo Pereira, do CosmoNerd.
— Cláudia Fofoka