Stallone admite esteroides e diz que ficou bulímico para chegar a 2,6% de gordura em Rocky III
Em entrevista ao podcast The Interview, do New York Times, o ator contou que o físico de Rocky e Rambo virou obsessão, que chegou a 2,6% de gordura corporal e que usou esteroides. Ele fez nove cirurgias na coluna e diz que hoje não faria as próprias cenas de ação.
- Sylvester Stallone, de 80 anos, contou que ficou bulímico quando chegou a 2,6% de gordura corporal para filmar “Rocky III”, em 1982.
- Ele confirmou que usava esteroides em ciclos de seis semanas e disse que ninguém chega àquele corpo sem drogas.
- O ator diz que já fez nove cirurgias na coluna e três fusões no pescoço, e que hoje não faria as próprias cenas de ação.
Sylvester Stallone falou pela primeira vez em público sobre ter tido bulimia e confirmou o uso de esteroides na época de “Rocky” e “Rambo”. O relato foi ao ar neste sábado (26), no podcast The Interview, do New York Times.
A entrevista faz parte da divulgação de “The Steps”, a autobiografia do ator, que chega às livrarias dos Estados Unidos na terça-feira (29). Stallone completou 80 anos em julho.
O que Stallone disse sobre esteroides e bulimia?
Stallone contou que o corpo virou uma “armadura”. Rocky, no primeiro filme, era um sujeito de aparência comum. Nas continuações e em Rambo, ele quis um físico de felino: “não grande como o Arnold”, disse, sobre Schwarzenegger, “mas mais selvagem, agressivo, flexível e atlético”.
“Virou uma obsessão. Muito ruim. Chegou ao ponto de eu ficar bulímico. Cheguei a 2,6% de gordura corporal quando estava fazendo ‘Rocky III’ e não conseguia segurar nada no estômago. Ou não queria, porque fiquei obcecado em ficar naquele ponto de forma.”
Sylvester Stallone, no podcast The Interview
Perguntado se tomava esteroides, confirmou: “Meu Deus, tem que tomar. Mas você faz com cuidado: seis semanas sim, seis semanas não”. Disse ainda que “ninguém faz isso sem aditivos e drogas, ponto”, e que o uso “cobrou um preço terrível”.
Por que 2,6% de gordura corporal é tão extremo?
Pela tabela do American Council on Exercise, entidade americana de educação física, homens têm de 2% a 5% de gordura essencial: o mínimo que o corpo usa para produzir hormônios, proteger órgãos e manter o sistema nervoso. Atletas ficam entre 6% e 13%, e a média dos homens, entre 18% e 24%.
Com 2,6%, Stallone estava perto do piso fisiológico. Para chegar lá, a pessoa come muito menos do que gasta, e aí o corpo passa a queimar também músculo para ter energia. O esteroide anabolizante, versão sintética da testosterona, ajuda a segurar a massa muscular nesse déficit.
O ciclo de “seis semanas sim, seis não” tem uma razão: o hormônio de fora faz o organismo reduzir a própria produção de testosterona, e a pausa serve para ela voltar. A pausa não elimina o risco ao coração, ao fígado e à fertilidade.
No Brasil, uma resolução do Conselho Federal de Medicina de 2023 proíbe médicos de receitar anabolizante para fins estéticos ou de ganho de massa.

A bulimia nervosa é um transtorno alimentar em que episódios de compulsão são seguidos de comportamentos para eliminar o que foi comido. Na entrevista, Stallone liga o quadro à obsessão em manter o corpo de “Rocky III”.
Quando Stallone mudou a relação com o corpo?
Segundo o ator, só em “Cop Land”, de 1997, quando fez um xerife parcialmente surdo e acima do peso. “Foi a primeira vez que tive de interpretar o cara mais fraco da sala, e me senti de certa forma libertado”, disse. Depois, contou, a carreira desandou e ele “caiu em desgraça” em Hollywood.

A conta física também apareceu na entrevista. “Eu abusei do meu corpo. Fiz nove cirurgias na coluna, duas no ombro, três fusões no pescoço. Está tudo preso com arame, mas ainda quero ficar em forma.” Se pudesse recomeçar, deixaria “outra pessoa carregar a bandeira” e não faria as próprias cenas de ação.
O tema já tinha rendido problema na Justiça. Em 2007, a alfândega de Sydney achou 48 frascos de hormônio do crescimento na bagagem do ator. Ele se declarou culpado de importar substância proibida e foi condenado a pagar multa e custas na Austrália.
Quem vive um transtorno alimentar ou passa por sofrimento emocional pode procurar a unidade básica de saúde mais próxima. O CVV atende de graça, 24 horas, pelo telefone 188 e pelo chat do site cvv.org.br.
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Com informações do podcast The Interview, do New York Times, de Payton Turkeltaub, da Variety, de Lexi Carson, do The Hollywood Reporter, de J. Kim Murphy, do TheWrap, e do American Council on Exercise.
— Cláudia Fofoka