Leandra Leal critica volta da magreza extrema na era das canetas: “É um retrocesso”
Depois que um corte da entrevista viralizou, Leandra fez três pontos: não demoniza as canetas emagrecedoras, não romantiza a obesidade e chama de retrocesso a volta do corpo magérrimo.
- Leandra Leal, 43, esclareceu no Instagram a fala sobre o corpo magro que deu no programa Sem Censura.
- Ela separou duas coisas: tratar obesidade com remédio e a pressão para a mulher caber num corpo magérrimo.
- “É um retrocesso o que a gente está vivendo”, disse a atriz sobre a volta do padrão de magreza extrema.
Leandra Leal, 43, voltou ao assunto que não escolheu: o corpo das mulheres. Depois que um trecho da fala dela no Sem Censura viralizou fora de contexto, a atriz publicou um texto no próprio Instagram na sexta (21) para dizer o que de fato quis dizer.
O corte de poucos segundos rodou as redes e a colocou em dois lados que ela nega ocupar: a que “demoniza” remédio e a que “romantiza” obesidade. A resposta veio organizada em três pontos, para não deixar margem.
O que Leandra Leal falou sobre o corpo no Sem Censura?
Na conversa com Cissa Guimarães, no programa da TV Brasil no começo de agosto, Leandra falou da própria relação com o corpo e de como a sociedade trata o corpo feminino. Foi essa parte que virou briga.
A sociedade acredita que o corpo feminino é público. Que ele pode ser debatido, que ele pode ser julgado.
Leandra Leal, no Sem Censura (TV Brasil)
No Instagram, ela começou pelo que não estava dizendo, e só depois pelo que defende.
Um: não estou demonizando o uso das canetas emagrecedoras. Dois: não estou romantizando a obesidade. Três: acho um retrocesso a volta do padrão de magreza extrema.
Leandra Leal, no Instagram

O que são as canetas emagrecedoras?
São canetas injetáveis com semaglutida (vendida como Ozempic e Wegovy) ou tirzepatida (Mounjaro). O remédio imita o GLP-1, hormônio que o corpo solta depois de comer, e faz a pessoa sentir menos fome e se saciar antes.
Foram criadas para diabetes tipo 2 e depois aprovadas para obesidade. O que mudou a conversa foi o uso estético — gente sem indicação médica atrás de emagrecer rápido. É aí que Leandra crava a diferença: tratar doença é uma coisa, empurrar um corpo só para todas as mulheres é outra.
A dimensão do assunto aparece na procura: semaglutida e cirurgia plástica estão entre os temas mais buscados do país, no embalo da mesma corrida estética que ela critica.
Por que ela chama a volta do padrão de retrocesso?
Porque o corpo que volta a ser régua é o magérrimo dos anos 1990 e 2000 — o mesmo que ela diz ter perseguido e sofrido para alcançar. Para Leandra, a caneta não criou a cobrança por magreza; ela deu um atalho novo para uma pressão que já existia.
É um retrocesso o que a gente está vivendo, a volta desse padrão de beleza extremamente magra. É um padrão que, para atingir, a gente sofre muito.
Leandra Leal
Ela contou que, por anos, a saúde mental pagou essa conta, e que só se libertou “disso” com maturidade e terapia. A frase mostra o alvo da crítica: a régua estética que faz mulheres sem problema de saúde sofrerem atrás de um corpo específico.

O que a Foka acha: a distinção que ela fez é o que some no corte de 15 segundos. Dá para tratar obesidade com remédio e, ao mesmo tempo, achar ruim que a beleza volte a ser um corpo que quase ninguém alcança sem sofrer. As duas coisas cabem na mesma frase, e foi por separá-las que ela postou de novo.
Mais sobre corpo em exposição e a cobrança estética: Georgina rebateu as críticas ao corpo dela, Paolla Oliveira denunciou deepfakes e Gretchen raspou a cabeça antes do transplante. De comportamento: Ana Castela contou por que parou de beber. Mais em Famosos.
— Cláudia Fofoka
Com informações de Paulo Vito, para a CNN Brasil, e do programa Sem Censura, da TV Brasil.