Fone de ouvido faz mal? O Globo Repórter mostrou o dano que não tem volta, e a regra 60/60
A célula que capta o som não se regenera: quando morre, não nasce outra. O programa de sexta (14) mostrou também uma pesquisa da USP que liga audição e memória.
- O Globo Repórter de sexta (14) tratou de saúde auditiva, e Sandra Annenberg fez o exame de audiometria diante das câmeras.
- A OMS estima que mais de 1 bilhão de pessoas entre 12 e 35 anos estejam em risco de perda auditiva pelo uso de fone.
- A regra prática é 60/60: no máximo 60% do volume do aparelho, por no máximo 60 minutos seguidos.
Sandra Annenberg colocou o fone, entrou na cabine e levantou a mão a cada bipe que ouvia. O exame de audiometria virou cena do Globo Repórter de sexta (14), na edição sobre saúde auditiva — e o número que abriu o programa é o que assusta.
A Organização Mundial da Saúde estima que mais de 1 bilhão de pessoas entre 12 e 35 anos correm risco de perder audição por causa de fone de ouvido em volume alto. O dano é cumulativo e costuma avançar sem sintoma — quando incomoda, já aconteceu.
Por que a perda auditiva por fone não tem cura?
Dentro do ouvido interno existe a cóclea, um tubo enrolado em espiral. Ali ficam as células ciliadas, que captam a vibração do som e a transformam em estímulo elétrico para o nervo auditivo. É esse sinal que o cérebro lê como música ou voz.
Som muito alto machuca essas células. E aqui está o detalhe que muda tudo: diferentemente da pele ou do fígado, a célula ciliada humana não se regenera. Quando ela morre, não nasce outra no lugar.
Por isso a perda auditiva por ruído é permanente. Aparelho auditivo amplifica o som que chega, e implante coclear substitui a função — mas nenhum dos dois devolve a célula perdida.

Qual é o volume seguro para usar fone?
A referência da OMS é 85 decibéis por até 8 horas. Acima disso, o tempo tolerado cai rápido — e um fone no volume máximo passa fácil desse patamar.
Daí vem a regra 60/60, que é a versão utilizável no dia a dia: 60% do volume máximo do aparelho, por 60 minutos. Depois disso, uma pausa. O ouvido precisa de silêncio para descansar, do mesmo jeito que o olho precisa piscar.
- Volume: até 60% do máximo do aparelho
- Tempo: até 60 minutos seguidos, com pausa depois
- Teto de segurança: 85 decibéis por até 8 horas
- Sinal de alerta: zumbido depois de tirar o fone, ou sensação de ouvido tampado
- Teste caseiro: se quem está do seu lado ouve o que você escuta, está alto demais
- Fone que isola ruído ajuda: sem barulho externo para vencer, você abaixa o volume sozinho

O que a audição tem a ver com memória?
Essa foi a parte menos óbvia do programa. A perda auditiva vem sendo estudada como fator ligado ao declínio cognitivo, e o Globo Repórter mostrou uma pesquisa brasileira sobre isso.
O trabalho é coordenado pela professora Alessandra Samelli, da USP, e acompanha mais de 800 participantes com exames de audição e testes cognitivos feitos com regularidade. A ideia é entender como as duas coisas caminham juntas ao longo do tempo.
Uma hipótese estudada na área é que ouvir mal obrigue o cérebro a gastar mais esforço para entender uma conversa, sobrando menos para guardar o que foi dito. Ainda é hipótese: associação observada não prova que uma coisa causa a outra.
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O que a Foka acha: o que sobra de aproveitável do programa é a régua numérica. “Ouça mais baixo” não diz a ninguém o que fazer; 60% do volume por 60 minutos, sim — dá para conferir no celular agora. E essa precisão importa mais aqui do que na maioria das pautas de saúde, porque não há tratamento que reponha a célula ciliada. A janela para agir é inteira antes do problema.
— Cláudia Fofoka
Com informações do Globo Repórter, da TV Globo, da Organização Mundial da Saúde e do Portal da TV.