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Caso Rafael Mascarenhas: filho de Cissa Guimarães leva à polícia post que exalta condenado

A notícia-crime aponta apologia de crime e ameaça. O comentário usou o atropelamento de 2010 numa provocação eleitoral, num post em que João divulgava um trabalho artístico.

Montagem de Cissa Guimarães e do filho João Velho no estúdio do Sem Censura
Cissa Guimarães e o filho João Velho no Sem Censura de 5 de agosto de 2024. Montagem. Reprodução/YouTube TV Brasil
  • João Velho, filho mais velho de Cissa Guimarães, levou à polícia um comentário que chamou de “herói” o motorista condenado pela morte do irmão, Rafael Mascarenhas.
  • A defesa enquadrou o caso como apologia de crime e ameaça e pede que a Meta entregue os dados de quem escreveu.
  • Rafael morreu aos 18 anos, em 2010, atropelado no Túnel Acústico; Rafael Bussamra foi condenado por homicídio culposo.

O ator João Velho, filho mais velho de Cissa Guimarães, 69, apresentou uma notícia-crime à Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática (DRCI) do Rio contra o responsável por um perfil do Instagram. Num comentário em post de João, o perfil exaltou Rafael de Souza Bussamra, condenado pelo atropelamento que matou Rafael Mascarenhas em 2010.

O caso veio a público na quinta-feira (22). Além da notícia-crime, João registrou ocorrência policial. Os dois pedidos apontam os crimes de apologia de crime e ameaça, segundo a representação assinada pelos advogados Ricardo Brajterman e Maíra Fernandes.

O que dizia o comentário contra João Velho?

A mensagem foi deixada num post em que João divulgava um trabalho artístico. Ela usava o nome do motorista e o atropelamento numa provocação eleitoral:

“Nas próxima eleição teremos o Rafael Bussamra, para atropelar a esquerda. Meu herói não usa capa, ele usa o volante de um carro.”

Comentário publicado num post de João Velho no Instagram, citado na notícia-crime
João Velho, de camisa estampada azul e branca, fala sentado à bancada do Sem Censura
João Velho no Sem Censura de agosto de 2024, apresentado pela mãe, Cissa Guimarães. Reprodução/YouTube TV Brasil

Para a defesa, o texto passa do limite da divergência política: exalta o episódio que matou Rafael e usa a tragédia da família para atacar o ator por suas posições. “Divergências políticas não podem justificar violência e ameaças. Ainda mais num post de Instagram que tinha por objetivo divulgar arte”, disse Brajterman.

Não é a primeira vez que a morte do filho é usada contra a família. Em novembro de 2025, Cissa contou num programa de TV que usuários de redes sociais recorriam ao caso para ofendê-la em discussões na internet.

O que acontece agora com a denúncia?

Primeiro, a polícia precisa descobrir quem está por trás do perfil. Por isso a defesa pediu que a Meta, dona do Instagram, entregue dados cadastrais, registros de IP e os logs de acesso à conta.

O Marco Civil da Internet obriga redes como o Instagram a guardar os registros de acesso por seis meses. A entrega desses registros depende de ordem judicial. Nome, filiação e endereço podem ser requisitados diretamente pelas autoridades que têm competência legal para isso.

Os crimes apontados têm penas baixas no Código Penal: apologia de crime, de três a seis meses de detenção ou multa; ameaça, de um a seis meses ou multa. Com pena máxima de até dois anos, entram na lista de infrações de menor potencial ofensivo, que correm nos juizados especiais criminais.

A notícia-crime não significa que o autor tenha sido identificado nem que o comentário vá ser enquadrado como crime: isso depende da investigação e do Ministério Público. Outros famosos já levaram ataques da internet à Justiça ou a público, como Marcos Mion, com a queixa-crime contra os vídeos de Bento Ribeiro, e Paolla Oliveira, alvo de um deepfake.

O que aconteceu com Rafael Mascarenhas?

Rafael, filho de Cissa com o músico Raul Mascarenhas, tinha 18 anos. Na madrugada de 20 de julho de 2010, andava de skate com dois amigos no Túnel Acústico, na Gávea, Zona Sul do Rio, que estava fechado para manutenção.

Dois carros entraram por um retorno no túnel interditado. Um deles, dirigido por Bussamra, atingiu Rafael a cerca de 100 km/h, segundo a perícia. Testemunhas disseram que os carros faziam um racha. Hoje o lugar se chama Túnel Acústico Rafael Mascarenhas.

Cissa Guimarães, de cabelo castanho e blusa branca, sorri no estúdio do Sem Censura
Cissa Guimarães no Sem Censura, programa que apresenta na TV Brasil. Reprodução/YouTube TV Brasil

Depois do atropelamento, o pai do motorista, Roberto Bussamra, pagou propina a dois policiais militares que atenderam a ocorrência, e o carro foi liberado depois do suborno. Os dois PMs foram expulsos da corporação.

Rafael Bussamra foi preso?

Foi condenado em janeiro de 2015 a 12 anos e 9 meses, por homicídio culposo, corrupção ativa, fuga do local e participação em racha, entre outros crimes. Depois de anos de recursos, a pena que ficou para o homicídio culposo foi de 3 anos e 6 meses. O pai ficou com 3 anos e 10 meses por corrupção.

Sem mais recurso, a Justiça mandou prender os dois em agosto de 2023, e eles passaram a cumprir a pena. “Devem pagar pelos crimes cometidos”, escreveu Cissa na época. Em junho de 2024, Roberto passou ao regime aberto, com tornozeleira, e o filho também pediu a progressão, segundo o Tribunal de Justiça do Rio.

João Velho, de camisa estampada azul, sentado à bancada do Sem Censura entre outros convidados
João Velho na bancada do Sem Censura, em agosto de 2024, quando falou da peça Eles Não Usam Black-Tie. Reprodução/YouTube TV Brasil

Mais em Famosos.

Com informações da coluna de Lauro Jardim, do O Globo, de Lucas Pasin e Beatriz Queiroz, do Metrópoles, da redação do Notícias da TV, do Diário do Grande ABC, de Tamyres Matos, do Extra, e do g1, além do Código Penal, do Marco Civil da Internet e da Lei 9.099, no Planalto.

— Cláudia Fofoka

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