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Monstro: A História de Lizzie Borden é real? O que é fato e o que a série da Netflix inventou

A nova temporada de Monstro conta o caso de Lizzie Borden, julgada e absolvida pela morte do pai e da madrasta em 1892, nos Estados Unidos. O crime é real e nunca foi resolvido, mas o romance com a empregada, a cúmplice e parte dos assassinatos mostrados foram criados para a série.

Ella Beatty como Lizzie Borden, de gola rendada, com expressão de espanto na série Monstro
Ella Beatty como Lizzie Borden no trailer de "Monstro: A História de Lizzie Borden". Reprodução/Netflix
  • A quarta temporada de Monstro estreou na Netflix na quinta (17) e fez 12,2 milhões de visualizações em quatro dias, no topo do ranking global e do Brasil.
  • O caso é real: Andrew e Abby Borden foram mortos a machadadas em 4 de agosto de 1892, e Lizzie, a filha, foi julgada e absolvida.
  • O romance de Lizzie com a empregada e o assassinato de Bertha Manchester, do jeito que a série mostra, são invenção.

Monstro: A História de Lizzie Borden, a nova temporada da antologia de Ryan Murphy e Ian Brennan, estreou na Netflix na quinta-feira (17) e virou a série mais vista da plataforma no mundo: 12,2 milhões de visualizações em quatro dias. No Brasil, também ficou em primeiro entre as séries da semana.

Ella Beatty, filha de Warren Beatty e Annette Bening, faz a protagonista. A série parte de um crime real, que nunca foi resolvido, mas boa parte do que acontece nos oito episódios foi criada para a TV.

Lizzie Borden existiu? O que aconteceu em 1892

Existiu. Na manhã de 4 de agosto de 1892, em Fall River, Massachusetts, o empresário Andrew Borden e a segunda mulher dele, Abby, foram mortos a golpes de machadinha dentro de casa. Abby morreu primeiro, no quarto de hóspedes. Andrew foi atingido de 10 a 11 vezes no sofá da sala.

Na casa estavam Lizzie, filha de Andrew, então com 32 anos, e a empregada irlandesa Bridget Sullivan. Lizzie deu à polícia versões diferentes de onde estava na hora do crime e foi presa em 11 de agosto.

Lizzie Borden, vivida por Ella Beatty, e a empregada Maggie, ruiva e com coroa de flores, frente a frente na série Monstro
Lizzie e a empregada Maggie na série: o romance entre as duas não tem registro histórico. Reprodução/Netflix

O que a série da Netflix inventou?

O centro da série é o romance entre Lizzie e Bridget, chamada de Maggie, que vira cúmplice dos crimes. Não há registro de relação entre as duas. A hipótese aparece em ficção sobre o caso, como o romance policial Lizzie, de Ed McBain, de 1984. A gravidez da empregada por Andrew também é criação da série.

Bertha Manchester existiu e foi morta a machadadas em Fall River, mas em 1º de junho de 1893, quando Lizzie estava presa, a cinco dias do julgamento. Um imigrante português, José Correa de Mello, foi condenado pelo crime. Na série, é Lizzie quem a mata, antes da morte dos pais.

A atriz Nance O’Neil também foi real e amiga de Lizzie, mas anos depois do caso, não durante o julgamento, em que a série a põe ensinando Lizzie a se comportar diante do júri. Aileen Wuornos, vivida por Sarah Paulson, é de outra época e aparece só como moldura.

O que a série manteve dos registros do caso?

A casa inteira passou mal dias antes das mortes, e Abby chegou a desconfiar de envenenamento. A série transforma isso em ostras estragadas servidas por Lizzie. E um farmacêutico da cidade disse que, na véspera do crime, Lizzie tentou comprar ácido prússico, um veneno, alegando que era para limpar um casaco de pele.

O vestido queimado também está nos registros. A amiga e vizinha Alice Russell contou no tribunal que viu Lizzie queimar um vestido no fogão da cozinha dias depois das mortes, dizendo que estava sujo de tinta. E os pombos que Lizzie criava foram mortos a machadinha em maio de 1892, só que pelo pai, não pela madrasta, como na série.

Ella Beatty como Lizzie Borden, de vestido branco, com expressão de fúria na porta de um quarto de papel de parede florido
Ella Beatty como Lizzie em “Monstro: A História de Lizzie Borden”. Reprodução/Netflix

Lizzie Borden foi condenada? Por que ela foi absolvida?

Não. O júri a absolveu em 20 de junho de 1893, depois de pouco tempo de deliberação. A acusação tinha um problema central: não havia testemunha nem prova física que ligasse Lizzie à arma. A machadinha sem cabo achada no porão nunca foi demonstrada como a arma do crime, e a polícia não encontrou roupa com sangue.

Duas provas ficaram de fora do julgamento. O depoimento contraditório que Lizzie deu no inquérito foi excluído, e o juiz barrou a história do ácido prússico, por achar que ela não tinha ligação com os crimes. Ninguém mais foi acusado, e o caso segue sem solução.

Livre, Lizzie comprou com a irmã, Emma, uma casa maior em Fall River, passou a assinar Lizbeth e foi isolada pela sociedade da cidade. Emma saiu de casa em 1905. Lizzie morreu de pneumonia em 1º de junho de 1927, aos 66 anos. Emma morreu nove dias depois. A casa do crime hoje é museu e pousada.

O que a Foka acha: das liberdades da série, a mais pesada é mostrar Lizzie matando, golpe a golpe. O caso real terminou em absolvição e sem nenhum outro acusado, e a Netflix põe na tela como fato o que o tribunal de 1893 não conseguiu provar.

Mais séries e histórias reais em TV: quem foi a Jolene da música de Dolly Parton, a ordem dos filmes de Sobrenatural, o elenco da série de God of War e Kit Harington na série de Harry Potter.

Com informações da Netflix e do Netflix Tudum, de Selome Hailu, da Variety, de Naty Falla, da Exame, de Giovana Christ, da CNN Brasil, e dos verbetes sobre Lizzie Borden e a série na Wikipédia em inglês.

— Cláudia Fofoka

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